Perdi a conta de quantos pousos eu já fiz no Aeroporto de Goiabeiras, com absoluta certeza passam de 200.
O trabalho,a família distante,e o esporte que pratico, me levam a fazer incontáveis viagens, partindo e retornando ao aeroporto de Goiabeiras em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo.Esporte esse que pratico a 46 anos e forçosamente me levou a entender um bocado de aviação (sou aeromodelista, e modéstia a parte, dos bons).
Com isso quero dizer que qualquer anormalidade apresentada durante um pouso aqui em Vitória, eu percebo no ato.
Dia 14, retornava eu da cidade aonde reside minha mãe de 91 anos, quando percebi que a aproximação (manobra de pouso executada pelas aeronaves) do Boeing iria “comer” um bom pedaço da pista, tocando as rodas muito além da cabeceira.
Fiquei aprensivo, mas quase imediatamente o piloto arremeteu e ganhou altura novamente.
Silencio sepulcral na aeronave, não se ouvia um pio sequer, pois até então reinava um grande burburinho, normal das pessoas conversando entre sí.
Olhei para os lados e os rostos já estavam sem cor, as mãos já cravadas nos braços dos assentos.
alguns minutos após o avião ganhar altura somos avisados, primeiro pela chefe de cabine, logo depois pelo piloto, que ” devido aos ventos em Vitória”, ele precisou arremeter a aeronave mas que em 3 minutos estariamos pousando em Goiabeiras.
Nova volta por cima do mar, desta vez fechando um pouco mais a curva sobre praia do canto e jardim da penha, e eu procurando checar nas árvores o tal “vento forte”,sem encontrar vestígio sequer do mesmo, e lá vamos nós para a cabeceira da Av. Adalberto Simão Nader.
Dessa vez aproximação perfeita, aeronave tocando as rodas bem no inicio da pista, reversos ok, e logo depois do local de pouso dos helicópteros o avião já estava parando.
No taxiamento procurei pela biruta que fica na cabeceira da Adalberto, e lá estava ela completamente pendurada, sem uma brisa sequer a lhe insuflar.
Ao sair pela porta da aeronave, no alto da escada móvel,constatei de vez que o tal vento forte misteriosamente desaparecera, completamente.
Estou omitindo aqui alguns detalhes, que poderiam identificar o avião, pois não vejo necessidade de divulgar.
O fato é que meu questionamento principal é :
“Até em que ponto as falhas são sempre mecânicas nos aviões de carreira”?

Eduardo Belmonte
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