Infelizmente não tive o contato que gostaria de ter tido com meu irmão, que nos deixou em 1999.

Vários foram os motivos que me levaram a ter tido pouco convívio com ele, ao longo desta crônica eu irei relatando-os.

Primeiro a grande diferença de idade que existia entre nós, ele nasceu em 1940, e eu em 1953.

Com isso ele bateu asas muito antes de eu entender direito as coisas de nosso mundo.

Ainda quando residíamos em Rio Claro, ele se mudou sozinho para a casa da tia Lina em São Paulo, casa essa que abrigou dezenas de Belmontes depois do Edemundo.

Depois que o Ed se foi para São Paulo, nós fomos para Sorocaba.

Na época de sua mudança para São Paulo eu tinha apenas nove anos.

A primeira lembrança que eu tenho dele foi exatamente em Rio Claro, eu tinha 5 anos, e um dia deram-lhe a incumbência de me levar ao dentista, coitado ele até que tentou mas ninguém conseguiu me fazer sentar na cadeira, e lá voltou ele frustrado comigo para nossa casa. Não sei como ficou a seqüência dessa história, se alguém conseguiu ou não me levar ao dentista.

Depois disso eu me lembro que numa tarde, ele me levou até a calçada de nossa rua para eu ver ele e seus amigos soltarem um imenso balão. Depois de muito tempo eu soube que era para comemorar a primeira Copa do Mundo ganha pelo Brasil, nos campos da Suécia, portanto o ano era 1958. Lembro bem que o balão subiu até alcançar os galhos mais altos das imensas árvores que existiam  no jardim da praça, se enroscar lá em cima e queimar inteiro.

Só iria me lembrar novamente de meu irmão exatamente no dia de seu casamento, também realizado em São Paulo, na casa da tia Lina. Os Belmontes todos estavam  lá, creio que foi a primeira vez que conheci meus avós paternos.

Nessa noite eu prendi meu dedo na dobradiça do porta malas do DKW Vemag  do meu primo João. Eu estava com a mão apoiada na dobradiça, ele não viu e fechou o porta malas. Chorei pra caramba, e tiveram de me levar na farmácia para fazer curativos.

No dia seguinte a gente saia de férias para as praias do litoral santista. Fomos para Mongaguá, e ficamos muitos Belmontes juntos numa grande casa alugada, foram dias maravilhosos, me lembro que lá estavam eu, meus pais, minha irmã, meus primos Luiz Lívio e Elaine, os pais deles, e devia ter mais gente que não me recordo agora.

Depois desse casamento só me lembro de meu irmão quando me levaram a sua casa em São Paulo e eu passei alguns dias lá de férias, sozinho, meus pais voltaram  pra Sorocaba.

Minha cunhada foi muito legal comigo, me lembro que ela me levava na rua para soltar pipa, que ela mesma comprava para mim.

Não sei onde meu irmão trabalhava nessa época.

Depois só fui rever meu irmão quando ele também se mudou para Sorocaba, mas ele vivia viajando, eu às vezes ia dormir com minha cunhada, para ela não ficar sozinha.

Quando minha sobrinha nasceu, a primeira filha de meu irmão em 1963, eu já estava com 10 anos e comecei a praticar o aeromodelismo, isso foi outro motivo pelo qual me afastei mais de minha família, é que sempre que tinha algum encontro familiar onde estariam todos reunidos, eu ia para os campinhos de Sorocaba soltar os aviões, e não acompanhava meus pais.

Depois de Sorocaba  nos mudamos para Santos (1969), eu já com 15 anos me afastei mais ainda, pois aí já apareceriam as primeiras namoradas, os campeonatos de aeromodelismo, os acampamentos nas praias do litoral norte, e além disso meu irmão continuava  viajando muito.

Eu tinha muito mais contato com meu cunhado Geraldo, do que com o Edemundo.

Sua família eu via sempre, minha cunhada e minhas 04 queridas sobrinhas, meu irmão sempre viajando eu continuava a ver pouco.

Acho que a única ocasião que a gente se via como assim num encontro marcado, era no Natal.

Uma vez eu estava de férias do colégio, e ele me convidou a fazer uma viagem com ele, enquanto percorria uma das rotas de seu trabalho.

Era para umas cidades do interior de São Paulo, e eu fui, ficamos em alguns hotéis e foi muito bom. Eu deveria estar com  uns 17 anos, e meu irmão conversou  muito comigo, vários assuntos, entre os quais sobre sexualidade, afinal eu estava com ela bastante aflorada, me lembro muito de seus conselhos, acho que em minha vida inteira foi a única vez que alguém conversou comigo sobre o assunto, foi muito legal.

Nossa vida continuou assim, só nos vendo de vez em quando, até que eu me casei e muito cedo bati asas para longe de Santos, passava anos sem ver meu irmão.

Muito raramente a gente se via, ou nas minhas férias quando a grana permitia e eu ia a Santos, ou de vez em quando, também  muito raramente, quando ele passava por Vitória a trabalho.

Estranho, que mesmo estando sempre a distância, eu fui muito mais chegado a minha irmã do que ao Edemundo. 

Hoje já com 56 anos e a quase 10 anos sem meu  irmão, eu gostaria muito de ter tido mais tempo com ele.  

Estive  em São Paulo na ocasião de sua morte, saí daqui de Vitória no primeiro vôo da manhã, e num dia cinzento, de muita chuva e frio, segurei numa das alças de seu caixão até a sua sepultura.

Foi o derradeiro contato com ele.

Quem estiver lendo esta crônica e tiver irmãos, aproveitem, não deixem  nunca de dizer a eles o quanto os amam, e sempre que tiverem oportunidade, estejam com eles.

Querido irmão eu te amo muito, grande beijo…

 Belmontes

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3 Responses to “SAUDADE DE IRMÃO…”

  • TATA disse:

    MANO……………CHOREI, CHOREI, CHOREI.
    MAS AMEI.
    VC SABE Q PRÁ MIM VC É UM FILHO MAIS VELHO, SÓ Q NÃO SEI ESCREVER PRÁ TE CONTAR COISAS DE SUA INFÂNCIA Q PRESENCIEI.
    MAS VC NÃO DEU MUITO TRABALHO, NÃO.
    TÍNHAMOS NOSSA AVÓ QUERIDA Q. CUIDAVA DA GENTE, E NOS CRIOU, ENQUANTO MAMÃE TRABALHAVA PRÁ AJUDAR EM CASA.
    E SOUBE NOS EDUCAR MUITO BEM, GRAÇAS À DEUS OS TRES TIVEMOS BOA FORMAÇÃO.
    BJS E SDS
    MANA

  • Gigi disse:

    Oi, Eduardo, pelo que você contou, acho que eu tive mais contato com seu irmão, do que com você. Eu gostava muito dele. Me levou para conhecer a Squibb, em Santo amaro, onde trabalhava; me levou pela primeira vez para ver um jogo de basquete no Palmeiras, onde jogavam craques da época, como Oberdan, Mão Branca (?), entre outras feras; até hoje me lembro de um gol do Chinesinho, que ele fez questão que eu visse no programa de esportes da segunda-feira; tomamos chope juntos à beira mar, em Santos. Foram muitos os momentos com o "Pelicano", um sujeito do bem.

  • EU disse:

    Puxa, pai, sabe que nunca notei essa distância entre vocês? Sempre achei vocês tão unidos! O tio tinha aquele jeitão bonachão, tranquilão, nunca o vi reclamar de nada… tenho muitas saudades dele…

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