Esta é uma história verídica!
Aconteceu no ano da graça de 1972, no litoral norte do Estado de São Paulo, na época na deserta praia de São Lourenço, distante 120 km da cidade de São Paulo.
São Lourenço era um verdadeiro paraíso, hoje infelizmente trata-se de um condomínio fechado.
A gente tinha uma turminha que saía sempre para acampar nessas praias desertas.
Saímos do Ginásio Industrial Estadual Dona Escolástica Rosa, na Ponta da Praia de Santos, logo após a última aula de sexta feira, mais ou menos por volta das 23 horas.
Nessa feita fomos, eu, Jorge, Márcio, e Nito, mais umas duas garrafas de conhaque e algumas outras de não menor teor alcoólico, que compramos numa padaria no Guarujá.
Conseguimos pegar o ultimo ônibus para Bertioga, e de lá seguimos a pé, até a paradisíaca São Lourenço.
A gente curtia tanto essa praia que até camisetas personalizadas com o nome dela a gente tinha.
Nas mochilas além do bom e velho conhaque levávamos várias lanternas, um toca fitas K-7 (só quem é da minha época vai saber o que era, mas quem quiser saber, é só buscar no bom e velho Google), dezenas de pilhas para o K-7, dezenas de fitas de rock (Pink Floyd,Crosby,Stills,Nash & Young,Black Sabath,Deep Purple,Uriah Heep, Grand Funk,Genesis,Led Zepelin),dezenas de latas de sardinha, macarrão espaguetti, alguns bifes grossos para churrasco,cebolas,etc.
O restante a gente sempre comprava por lá mesmo, no único bar/quitanda/mercearia do local.
Por volta das 2 horas da manhã a gente armava nossa barraca, na areia da praia, bem distante da água.
Água simplesmente maravilhosa.
A fome ia bem alta, e precisávamos montar nosso “fogão”.
Existia uma estradinha bem pequena, que saía da praia no sentido Bertioga, paralela à estrada principal, mas que ia somente até o cemitério do vilarejo, o Campo Santo.
Era de lá que a gente ia buscar tijolos para a confecção do nosso fogão.
Dessa feita fomos eu e o Márcio, enquanto Jorge e Nito preparavam a carne para a gente assar.
De posse de duas lanternas eu e Márcio iluminávamos o caminho até o Campo Santo.
Chegamos e começamos a procurar por alguns tijolos, que sempre estavam disponíveis por lá.
Logo demos de cara com um túmulo em construção ou reforma não me lembro mais.
Por cima da sua laje ainda havia vários tijolos soltos, um verdadeiro “achado”.
Carregamos uns vinte tijolos em duas das nossas mochilas vazias e voltamos felizes para o “acampamento”.
Tratamos logo de montar o fogão e acender o carvão, pois o estômago roncava com força.
Como era de praxe, um verdadeiro ritual mesmo, enquanto o fogo pegava, e a carne já estava depositada sobre a grelha, partimos todos para nosso tradicional mergulho da madrugada na maravilhosa água de “San Lorenzo”.
Após uns quatro ou cinco mergulhos e algumas braçadas, voltamos para terminar o jantar.
Quando chegamos, cadê a carne ?
Não restava nenhum dos quatro grandes bifes na grelha.
A princípio pensamos em ser sacanagem de algum de nós, hipótese logo descartada, pois fomos os quatro juntos para o mar.
Começou a pintar um clima de suspense, pois a primeira coisa que veio à nossa cabeça foi de ter algum ladrão pelas redondezas.
A praia, como sempre nessa época do ano, estava totalmente deserta, apenas nossa barraca estava fincada em quilômetros de areia.
Subimos até a estrada, olhamos de um lado para outro, e nada, nenhuma viva alma.
Em seguida pensamos em algum cão vira lata que poderia ter passado e surrupiado os bifes.
Foi quando o Jorge lembrou que fosse homem ou cão, certamente teria deixado pegadas na areia da praia.
De posse de nossas lanternas, e ajudados pelo luar, vasculhamos o local, mas só conseguíamos visualizar nossas próprias pegadas indo e voltando do mar e subindo até a estrada.
Bem, o jeito foi então abrir umas latas de sardinha, e salsicha, e comer com pão, bebida ainda tinha bastante.
Combinamos que iríamos nos revezar montando guarda, a cada 2 horas, se bem que restavam apenas umas 3 horas para o sol subir no horizonte.
Assim foi que no sorteio coube ao Jorge ser o primeiro a montar guarda, enquanto os demais dormiam o sono dos justos.
Acontece que não sei se o Jorge bebeu mais do que nós, ou se ele realmente ficou assustado com o desaparecimento misterioso dos bifes, que lá pelas 4 horas da manhã ele nos acorda aos berros com a cabeça enfiada dentro da barraca,
“Acordem, acordem, venham ver isso…”
Sonados e embriagados por ambos (sono e conhaque) saímos com muita dificuldade da barraca.
Ao conseguirmos clarear as idéias ele apontava para a direção da estradinha do cemitério e jurava que havia visto um vulto todo de branco acenando para ele e lhe dando uma “banana” com os braços.
Nossa atitude foi unânime, soltamos uma enormidade de impropérios para cima dele e por pouco não o jogamos no mar para curar sua bebedeira.
Estávamos tão “travados” pelo excesso de conhaque, que o sumiço dos bifes e a “visão” do Jorge nem de perto arranhou nosso sono.
Ainda soltando mais um monte de impropérios, voltamos os três para o interior da barraca e deixamos o pobre Jorge à sua própria sorte.
Só acordamos já com o sol bastante alto, e com uma baita dor de cabeça.
Saímos da barraca e lá estava o Jorge sentado num banquinho de tijolos que havia sobrado da construção do fogão com os olhos fixos na estradinha do cemitério.
Foi com muito custo que conseguimos nos lembrar do misterioso sumiço dos bifes e do Jorge nos acordando.
Tratamos todos de dar um belo mergulho e fazer um bom café da manhã, com ovos fritos, (coisa que foi bem fácil, pois com o medo do tal vulto de branco o Jorge deixou o fogão aceso o resto da madrugada, abastecendo o mesmo com carvão), pão com manteiga e mortadela, nescafé e bananas.
Agora, já bem refeitos da ressaca pudemos conversar melhor com o Jorge.
- Seus “veados”, a coisa foi bem assim, eu estava olhando para as estrelas curtindo Pink Floyd, quando sem querer me voltei para a estradinha do cemitério, e vi o vulto branco que acenava para mim, em seguida ele me deu várias vezes uma “banana” com os braços…
E Jorge repetiu várias vezes o gesto de dar “bananas”.
O Lúcio não quis ouvir outra coisa e rolava de rir, o que deixou o Jorge irritadíssimo a ponto de lhe dar um ponta- pé na bunda.
- CACETE, CARAS, EU JURO QUE VÍ, EU NÃO BEBI NEM METADE DO QUE VOCÊS ENTORNARAM.
Quando ele falou isso foi que caímos na real, pois o Jorge realmente era o único de nós que quase não bebia, ele sempre foi o mais sério de todos nós, e o mais ajuizado também.
Foi então que a coisa realmente começou a nos preocupar.
Depois de mais alguns mergulhos tomamos a decisão de dar uma passadinha pelo cemitério, pois já eram 10 da manhã de um dia maravilhoso de sol.
Combinamos de ir em três, para um ficar tomando conta da barraca, coisa que nunca foi preciso fazer ali em “San Lorenzo”.
Deixamos o Nito na barraca, pois como eu e o Márcio tínhamos ido pegar os tijolos, achamos que deveríamos ir junto com o Jorge, que tinha visto o tal vulto.
Em nossa cabeça, talvez o tal vulto pudesse ser um zelador do cemitério ou alguma coisa parecida.
Caminhamos mais ou menos descontraídos, porque, convenhamos, ir a um cemitério deserto não é lá um bom passeio, principalmente se você está de “cara limpa”.
Chegamos até o local e demos uma boa espiadela ao redor.
O cemitério não tinha sequer muros, e deveria ter cerca de uns 50 ou 60 túmulos.
Não havia também nenhuma casa ou capela que servisse para alguém exercer o trabalho de zelador ou coisa que o valha.
Muito mato misturado com as lápides, e só.
Fomos até o túmulo que estava em construção ou reforma e o que encontramos em cima da lápide?
Um prato de papelão com quatro grandes bifes colocados um ao redor do outro!!!
Confesso que um frio percorreu minha espinha, o Jorge saiu correndo de volta ao “acampamento” e o idiota do Lúcio desandou a rir sem parar, de puro nervosismo.
Deixamos os bifes lá, e voltamos apressados para a barraca.
Depois de contar tudo ao Nito, ele resolveu ir até lá conferir, mas exigiu a companhia de mais alguém. Seu irmão Jorge se negou terminantemente a voltar ao Campo Santo, então fomos os três.
Ao retornarmos à barraca, já sabíamos o que iríamos fazer.
Desmontamos o fogão, lavamos os tijolos que ainda estavam aquecidos no mar, e junto com os que sobraram tratamos de devolver todos ao seu túmulo, viagem essa que mais uma vez fizemos sem o Jorge.
Inclusive por sugestão do Jorge, desmontamos a barraca e tratamos de montá-la alguns quilômetros mais distante da estradinha do cemitério.
Não foi por acordo, mas por coincidência, nenhum de nós voltou a tocar naquele assunto durante o resto do acampamento.
Ainda iríamos acampar várias vezes mais na praia de “San Lorenzo”, mas nunca mais fomos ao cemitério.
Esta é uma história verídica !

Conto criado para a blogagem Coletiva “Contador de Histórias”, do Kriativa Blog. Tema do Mês: Uma Noite de Arrepiar
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QUERIDA, QUE SUA VIDA SEJA ILUMINADA DE AMOR DIVINO, QUE SUAS TRISTEZAS SEJAM PASSAGEIRAS QUE VC SEJA MUITO FELIZ DE VERDADE!!VC É MUITO ESPECIAL!! ACREDITE SEMPRE NO PAI E MENTALIZE SOMENTE O BEM.O AMOR A SAÚDE E A PAZ.
Um Domingo ABENÇOADO
UM ABRAÇO CARINHOSO .
EVANIR E DARLI..PAZ.
Seguindo seu blog me perdõe te chamei de querida entrei aqui atravez do blog de uma amiga .Um feliz Domingo.
Ola, vim conferir seu conto de halloween muito bem relatado e escrito parabéns…amei a imagem do fantasminha junto a churrascaria…mas porque será que o tal ‘espirito’ queria os bifes???Sera que ele estava com fome???Brincadeiras a parte adorei sua participação bem relatado e interessante. Te espero nos proximos contos também se puder. Abraços!
OI DÚ………….
AMEI ESSE CONTO, MUITO BEM ESCRITO E CLARO.
CONTINUE ESCREVENDO SEMPRE….
BJS E BOA SEMANA.
TATA