Archive for novembro, 2009

Ponte do Arco Iris

Bem do ladinho do céu tem um lugar chamado Ponte do Arco Íris.
Quando morre um animal que foi especial para alguém daqui, esse animal vai para Ponte do Arco Íris.

Lá existem riachos e colinas para que todos os nossos amigos possam correr e brincar juntos.

Tem muita comida, água e sol, e nossos amigos estão quentinhos e confortáveis. .

Todos os animais que estavam velhos e doentes voltaram a ter vigor e saúde; aqueles que estavam machucados ou aleijados estão inteiros e fortes novamente, exatamente como nas nossas lembranças dos tempos que já se foram.

Os animais estão felizes e contentes, exceto por uma coisinha: cada um deles sente falta de alguém muito especial , que teve que ficar para trás.

Todos correm e brincam juntos, mas chega o dia quando um subitamente para e olha para longe. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo treme de ansiedade. De repente ele começa a correr para longe do grupo, voando sobre o gramado verde, suas pernas indo mais e mais rápido.

Você foi avistado, e quando você e o seu amigo finalmente se encontrarem, vocês se abraçam numa reunião feliz, para nunca serem separados novamente. Os beijos alegres chovem sobre o seu rosto; suas mãos afagam de novo a cabeça amada, e você pode olhar mais uma vez nos olhos confiantes do seu amigo, ausentes há tanto tempo da sua vida mas nunca longe do seu coração.

Aí vocês cruzam juntos a Ponte do Arco Íris….

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Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu…

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá …

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá…

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou…

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá…

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou…

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá …

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…

FAMILIA

 

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Esta é uma peça de teatro que escrevi para os jovens da Comunidade Esperança, da qual faço parte, e será apresentada no dia 05 de dezembro, como encerramento das atividades do ano.

Ela é uma peça musicada, sem qualquer diálogo, aqui ela está em forma de uma novelinha.

Espero que gostem…

PARTIDAS E CHEGADAS

 Uma história de perdas, de provas, e de fé.

 À cadelinha Tutty 

Desculpem-me por dedicar esta história a uma cadelinha. Tenho um bom motivo: essa cadelinha foi a melhor amiguinha que tive, essa cadelinha era capaz de compreender todos os meus anseios, até mesmo os meus temores. Tenho ainda um outro motivo: essa cadelinha não está mais comigo, e até hoje sinto a sua falta.

Eduardo Belmonte

Parte 01

 

Estamos no ano de 1970, quando muitos jovens jogavam suas mochilas nas costas, e saíam pelo mundo afora em busca de liberdade.

Estela chega em casa após o trabalho, deposita a bolsa num canto e  senta-se numa cadeira. Fica olhando os pôsteres na parede de seu quarto, cada um sobre um país distante: Austrália, Groenlândia, Nova Zelândia, Alasca; e seus pensamentos voam pelas terras distantes que ela há muito decidiu conhecer. Há tempos vinha juntando dinheiro para comprar a passagem só de ida, e finalmente seu sonho estava se realizando.

Martha entra no quarto e olha para os pôsteres, sempre se perguntava quando a filha iria desistir daquele sonho tresloucado, ou quando iria partir de vez ao encontro dele, aumentando seus temores e apertando seu coração. Ela puxa uma cadeira e, passando as mãos sobre os cabelos da filha volta, a repetir frases tão conhecidas já entre ambas…:

- Filha, de novo “viajando”, quando vai desistir dessa idéia maluca de colocar uma mochila nas costas e sair pelo mundo?

A garota se levanta e procura por palavras para tentar confortar a mãe de sua iminente aventura…:

- Mamãe, já estou com 27 anos, creio que já passou da hora de seguir meu caminho. Por favor, tente entender, minha vontade é muito maior do que eu. Não fique triste, por favor, não torne as coisas mais difíceis para nós.  

Nesse momento chegam Bruno e Rafael, ambos trajando camisas de times de futebol, o pai com a do Palmeiras, e o filho com a do Botafogo, este com uma bola de futebol na mão, e ficam olhando a cena sem entenderem o que estava se passando.

Martha vai até Bruno e quase em desespero pede ao marido…:

- Bruno, sua filha está me deixando preocupada, está falando como se finalmente estivesse partindo.

- Martha, quantas vezes já falamos sobre isso, ela está com quase 28 anos, o que vamos fazer, amarrá-la no pé da cama?

Mais uma troca de olhares entre pai e mãe e Estela vem até eles com uma passagem aérea nas mãos.

Martha em prantos abraça a filha, senta-se numa cadeira, a filha senta-se no chão e abraça a mãe.

Ambas ficam ali abraçadas, Martha chora copiosamente e enquanto Estela soluça baixinho por algum tempo, Martha fica acariciando os cabelos da jovem.

Depois a jovem se levanta e começa a arrumar as mochilas, suas roupas já estavam separadas apenas aguardando pelo tão sonhado momento.

O trajeto de sua casa até o aeroporto é relativamente longo, e ela não quer chegar atrasada para o vôo.

De sua gaveta da cômoda retira um punhado de dólares e um passaporte e coloca em sua bolsa de mão.

Vai ao banheiro tomar banho enquanto Martha ainda tenta argumentar com Bruno sobre a partida da filha.

Ao terminar de se arrumar Estela despede-se dos pais e do irmão e vai saindo devagar. De repente vira-se e entrega uma bandana que estava usando para a mãe. Os pais ficam abraçados com a mãe chorando no ombro do marido.

Rafael fica em pé, apenas olhando enquanto a irmã entra no táxi e acena um adeus com as mãos.

 

PARTE 02

 

1972 – Dois anos já se passaram, e após duas cartas vindas da Austrália, a família nunca mais teve noticias de sua filha.

Agora outra aflição atingia Martha e Bruno.

Rafael, seu filho de oito anos está muito doente. Portador de uma rara doença, eles esperam apenas o resultado de seus últimos exames para saber suas reais condições de sobrevivência.

O jovem está internado, e seus pais aguardam a chegada da médica, em seu quarto no hospital.

Uma enfermeira está constantemente ao lado da cama do menino, monitorando uma série de aparelhos que estão ligados ao jovem.

Depois de uma longa espera a médica adentra o recinto com vários papéis na mão.

Cumprimenta os pais e a seguir vai até o menino, conversa com a enfermeira e retorna para a mesa onde estão os pais.

- Meus queridos amigos, infelizmente não tenho boas notícias. Apesar de todo o avanço de nossa medicina, ainda não temos a cura para a doença do Rafael, eu sinto muitíssimo.

Os pais se entreolham e Martha começa a chorar apoiada no ombro do marido, que pergunta para a doutora:

- Mas doutora, existe alguma chance lá fora, em qualquer outro país, estamos dispostos a vender nossa casa para custear a cura.

- Meu amigo, se houvesse essa possibilidade eu já teria lhes comunicado, preciso ser realista, não posso enganar vocês nem lhes iludir com falsas esperanças. Rafael está morrendo.

Após esse terrível comunicado, apenas sete dias depois o jovem Rafael desencarnou em seu leito no hospital.

 

Parte 03

 

Martha e Bruno não conseguiram de forma alguma encontrar a filha Estela para lhe contar sobre o irmão, e numa tarde fria e chuvosa de julho, Rafael foi enterrado pelos pais e alguns poucos familiares e amigos.

Ao retornarem para casa, agora sozinhos, Bruno colocou toda sua ira para fora, parou em frente a um entalhe de Jesus em madeira escura, na parede da sala e questionou aos berros…

- E você, onde você estava? Por que deixou isso acontecer? Primeiro minha filha vai embora, agora você me leva Rafael!!! O que mais você quer de mim?

Martha desesperada tentava acalmar em vão o marido.

Bruno se desvencilhou dos braços da esposa, e num ímpeto de fúria jogou tudo que estava sobre a mesa da sala para o chão, em seguida chutou com força uma lixeirinha de plástico que ficava próxima a mesa, espalhando todo seu conteúdo pelo chão da sala.

Com muita dificuldade Martha consegue arrastar Bruno até o sofá e tenta ler uma passagem do Evangelho para ele.

Com o marido deitado em seu colo, Martha com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto vai lendo o Evangelho, que passava sem sentido algum pelos ouvidos de Bruno.

Martha encontrou apoio na doutrina espírita de Alan Kardec, mas Bruno entrou em parafuso, e passou a questionar Jesus e tudo o mais.

A vida do casal iria se transformar definitivamente numa grande provação.

 

PARTE 04

 

1975 – Tarde da noite Bruno volta para casa do seu serviço, com sua pasta na mão esquerda, os cabelos desalinhados, o terno todo desarrumado, e na mão direita uma garrafa de whisky pela metade. Com muita dificuldade consegue fechar a porta, e tropeçando nos próprios pés para defronte da imagem entalhada de Jesus, olha para ele e lhe oferece um gole de sua garrafa…:

- Não quer? Tudo bem, eu quero…

Joga a pasta sobre a mesa, bebe mais um grande gole e cai pesadamente sobre o sofá.

Fica ali por um tempo, perdido em pensamentos, a seguir vai até uma gaveta sob a mesa da sala e de lá retira dois objetos, voltando até o sofá.

Nas suas mãos estão a bandana de Estela, e a camisa do Botafogo de Rafael.

Leva a bandana ao nariz, como se fosse possível sentir o perfume da filha após cinco anos, e chora copiosamente enxugando as lágrimas com a camisa de Rafael.

Com muita dificuldade, ainda carregando a garrafa, vai até seu quarto e, de roupa e tudo, desaba na cama ao lado da esposa, que dormia sem perceber a chegada do marido.

Toma mais um gole e deixa a garrafa cair no chão para, em seguida, dormir profundamente.

Em determinada hora da madrugada, uma luz a princípio fraca e trêmula, começa a tomar conta do quarto do casal.

A luz vai se tornando cada vez mais forte e assume um tom púrpura, bem ao lado de Bruno.

A intensidade da luz vai se tornando um pouco mais fraca e de repente uma forma humana vai se tornando visível.

Agora temos a forma perfeitamente visível, e a luz é sua aura, que lhe envolve completamente.  

Ali bem ao lado do desacordado Bruno está Jesus, sentado num banquinho que estava próximo a cama, Cristo em todo o seu esplendor está bem ao seu lado, e com as mãos espalmadas sobre sua cabeça faz com que Bruno acorde num sobressalto…:

- Que? Como?

Assustadíssimo, Bruno senta na cama com os pés apoiados no chão, olhando para a imagem do Cristo bem ali a sua frente…:

- Filho, fique em paz, sou Eu, nada temas. Chegou a hora de você voltar à vida. Tudo tem seu tempo certo, e nada nesta vida é por acaso. Confie em mim, como sempre você confiava.

Com essas palavras ressoando estranhamente em seus ouvidos, Bruno não conseguia sequer balbuciar uma frase. Cristo coloca sua mão direita no coração de Bruno e lhe direciona novamente ao seu leito.

Imediatamente Bruno volta a dormir como uma pedra.  

Jesus se levanta do banquinho e com as mãos espalmadas fica um longo tempo observando o casal.

A luz começa a se intensificar novamente, a imagem do Cristo desaparece dando lugar a mesma luz púrpura e trêmula.

A seguir num piscar de olhos o quarto volta a ficar escuro, e o casal continua dormindo pesadamente.  

Amanhece na casa de Martha e de Bruno, e estranhamente pela primeira vez desde que Estela partiu e Rafael morreu, o casal está completamente em paz, numa paz que eles nunca haviam sentido antes.

PARTE 05

 

1976 – Bruno e Martha vivem tranqüilos sob a luz do Evangelho, ambos trabalham na casa espírita de seu bairro e a vida segue seu curso.

Já se passou um ano desde que Cristo apareceu em sonho para Bruno (em sonho?), estamos na época do Natal, e Martha prepara a montagem da tradicional árvore.

Árvore que tantas vezes ela montou em companhia de sua querida filha Estela, com o pequeno Rafael em volta querendo mexer em todas as caixas de enfeites, ou então brincando com os bichinhos do presépio. Mesmo assim ela se sente bem, ela não sabe por que, mas nesse Natal ela está particularmente feliz.

A seguir Bruno chega do seu trabalho, abre a porta sorrindo e logo na entrada retira os sapatos e empurra-os para o canto da sala, sendo repreendido com um balançar de cabeça negativo de Martha. Ele sorri, pois faz aquilo exatamente para brincar com a esposa. Depois vai até ela e lhe dá um beijo. 

Livra-se do paletó e desafoga o nó da gravata.

Em seguida vai até a gaveta da mesa e retira o Evangelho, senta-se no sofá põe-se a ler.

Enquanto Martha vai montando a árvore, Bruno vai lendo e um filme passa por sua cabeça, deposita o Evangelho no sofá e olha para a esposa montando a árvore.

Fica ali perdido em pensamentos, o que estará passando por sua cabeça?

Ela vê o marido com olhar distante e tenta adivinhar no que será que ele está pensando.

Bruno nunca contou de seu sonho para Martha, naquele momento ele está exatamente relembrando do sonho, ele se recorda exatamente de tudo, e de todas as palavras que Cristo lhe dissera.

Nesse momento batem na porta, trazendo o casal de volta a realidade.

Eles se entreolham, como que perguntando um ao outro quem poderia ser.

Martha deposita um enfeite na mesa e sai para atender a porta quando a mesma se abre.

Estela ao lado de um forte rapaz de sua idade, ele carregado de malas, e ela carregando no colo um bebê de 10 meses, vestindo a camisa do Botafogo.

Naquela noite, duas semanas antes do Natal, Martha e Bruno tiveram suas vidas de volta de vez.

FIM

O ser humano, o ser humano pode perder tudo, absolutamente tudo em sua vida…

Ele só não pode perder uma coisa, uma única coisa…

A sua FÉ !

teatro

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Não sei o que anda acontecendo com o sr. Vanderlei Luxenburgo, mas que ele não assusta mais ninguém, isso lá não assusta, e já faz tempo.

Senão vejamos, Maracanã com 80.000 pessoas, ou melhor, 80.000 flamenguistas ensandecidos, empurrando o time pra frente.E com Adriano aos 6 minutos de jogo, já abre o placar.

Aí o Santos do sr. Luxenburgo  vai aos trancos e barrancos e aos 20 minutos c0onsegue um penalti, aliás penalti que 49 entre 50 sopradores de apito não marcariam, mas esse marcou.Não estou dizendo que não foi penalti, estou dizendo que é uma jogada que quase nenhum soprador apita.

E o sr. Luxenburgo, diante de 80.000 fanáticos flamenguistas manda o “Ganso” de menos de 18 anos ir pra marca da cal e bater.

Bateu muito mal, do jeito que todo goleiro gosta que batam, a meia altura e fraquinho, tão fraquinho que o goleiro do Flamengo nem precisou espalmar, agarrou mesmo.

 E segue o jogo, com o Santos assistindo o Flamengo jogar, e jogar mal por sinal.

No segundo tempo até que o Santos volta melhor, mas é de novo Adriano quem leva perigo, e aos 17 minutos quase explode a bola na trave do Santos.

80.000 flamenguistas aplaudindo o “imperador”.

Então com 28 minutos do segundo tempo o soprador de apito marca outro penalti a favor do Santos, novamente um penalti que quase nenhum soprador apita.

Mais uma vez 80.000 flamenguistas em pé para ver o penalti ser batido.

E não é que o sr. Luxenburgo novamente manda o “Ganso” bater o penalti !!! 

Dessa vez o “Ganso” se superou, bateu fraquinho e no meio do gol, o goleiro do Flamengo já havia pulado para o mesmo canto do primeiro penalti, mas consegue com a ponta do pé cutucar a bola para o lado.

O tal “Ganso” fica estático, nem prossegue na jogada que seu companheiro Madson se esforça em pegar o rebote e cruzar para a area de novo.

Fico pensando aonde está a velha “malandragem” (no bom sentido), do carioca Luxenburgo ?Qualquer técnico, por mais inexperiente que fosse jamais mandaria um jovem de menos de 18 anos bater um penalti com seu time perdendo, diante de 80.000 torcedores do time que está ganhando!!! 

Luxenburgo já deu vários títulos para o meu Palmeiras, mas dessa última vez que passou por lá eu não queria de jeito nenhum que ele fosse o treinador do time.

Acho que ele está desencantado pelo futebol, pelo menos pelo futebol de ter de ficar na beira do gramado tentando ensinar “gansos” a jogarem bola.

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