A primeira pneumonia a gente não esquece.

Cara de espanto, queixo caído e um gelo crescendo dentro de mim.

Assim estava eu ontem, no fim da tarde, ao ouvir o diagnóstico da boca do médico da emergência.

- Seu filho está com sinusite e pneumonia. – simples assim. Um médico sério e de poucas palavras, e intimidante.

Ao meu lado, meu filho, sentado no colo do pai, perguntava todos os porquês possíveis e imagináveis em relação ao consultório.

O doutor entregou a receita, ensinou a usar e acondicionar o antibiótico e disse para retornarmos na segunda-feira para avaliação da evolução.

Levantei no automático e saí junto com meu marido e nosso filhote. Pneumonia, como??? E por que??

Gente, sou do tempo que pneumonia era sinônimo de internação, de doença perigosíssima! Cheguei em casa de pernas bambas, cheia de culpa, me perguntando em que parte do caminho eu não vi que estava chegando a esse ponto. Arthur teve uma febre baixa na madrugada do último domingo. Uma única vez. A partir daí, começou com nariz escorrendo e espirros – eu tinha gripado na semana anterior, faz parte do ciclo. Mãe pega, passa pro filho, ou vice-versa. Na terça, começou a tossir. Nada daquelas tosses que atacam direto, tosses ocasionais com catarro cristalino. Na quarta, filhote deu uma decaída, ficou amuadinho. E ontem, a gota d’água, ficou o dia todo de cama, sem querer comer. Resolvemos levar na emergência – e recebemos essa bomba.

Ao chegar em casa, liguei pra pediatra dele, e só me acalmei quando ela disse que é normal, que pode acontecer sim, e que Arthur, forte como é, vai se recuperar rápido. Que eu não ficasse chateada, porque essas coisas acontecem.

E hoje,só com duas doses dos medicamentos, meu  filhote já está infinitamente melhor! Brincando, ativo, até comendo, quase 100%, graças a Deus!

EU?

Pedi colo pra minha mãe.

E estou juntando os caquinhos.

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De vida e de passagem…

Hoje entendi o sentido literal da expressão “morte com hora marcada”.

Meu gatinho mais velho, o D’Artagnan, de treze anos, está com uma doença chamada “PKD” – traduzindo, rins policísticos. Ele está com 80% de seus dois rins comprometidos devido à doença. Uma doença genética que seria facilmente erradicada se os criadores de gatos persas se dessem ao trabalho de testar suas crias para o gene da doença e não cruzar os gatos com o gene do PKD.

Em resumo, meu gato começou, há uns 10 dias, a urinar pela casa toda. Em camas, pisos de banheiro, qualquer pano que encontrasse ao seu alcance. A princípio, achei que fosse comportamental – desconfiança leve, uma vez que Arthur já está pra fazer três anos e D’Artagnan nunca demonstrou ciúmes do meu filho. Isolei os quartos do resto da casa com o famoso “portãozinho que protegia o Arthur dos gatos – ou os gatos do Arthur”, e ele passou a fazer xixi no chão, mesmo. Desconfiei de incontinência urinária, mas não era algo descontrolado. Ele simplesmente esvaziava a bexiguinha onde lhe desse vontade. Já querendo levá-lo ao veterinário, reparei que ele havia emagrecido. Nunca foi de comer muito, mas está leve como uma peninha.

Levamos à clinica e nos exames iniciais, a ureia e a creatinina estavam acima dos limites normais. Ficou dois dias e duas noites internado, no soro, pra normalizar. Hoje, após um ultrassom, veio a notícia da PKD e o veredito: SE ele aceitar bem a troca da ração, terá de seis meses a dois anos de vida. Se não aceitar…bem, vai depender de sua resistência.

Eu não me surpreendi, afinal, ele está com treze anos. Já tive gatos que viveram 14 e 16 anos, e morreram de complicações inerentes à idade. Mas não é fácil você receber uma notícia dessas, e saber que a hora dele já está marcada. Que todos faremos a passagem, é fato. Mas saber quando vai ocorrer assusta um pouco.

O  que fazer agora? Dar a ele todo o conforto e amor possível, medicá-lo e tocar a vida como sempre foi. Ele está ótimo, tirando o excesso de urina, ele está como sempre foi, ativo, carinhoso e curioso. Brinca e foge do Arthur, nem parece um ancião. Vamos cuidar dele até o último momento, e não vou permitir que sofra um único segundo que seja.

E quando partir, tenho certeza de que vai brincar nos campos do Senhor, junto aos que foram antes dele: Mimi, ronrom, Frajola, Mel e Tutty.

E terei a certeza de fiz o melhor que poderia fazer: cuidei, amei, briguei quando necessário, e meu coração estará confortado.

Faltando um pedaço, mas confortado.

 

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Papo sério

Momento de introspecção na cama da mamãe após uma soneca:

- Filho, te amo. – Silêncio.

- Mamãe, você briga muito com o gato! – (Oi?)

- Ah, meu filho, ele fez xixi na sua cama, fiquei muito brava mesmo com ele! – O baixinho para e pensa por uns segundos.

- Mamãe, eu também fiz xixi na minha cama.

- Hum, mas você fez sem querer. E às vezes, sua fraldinha vaza, não é culpa sua. O gato fez de propósito, ele queria fazer xixi lá.

- Gato feio, vai ficar de castigo!

 

Estamos de volta, people!

Em breve, os posts do Natal e Ano-Novo, e o desfralde!

Beijo grande!

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Saltos de Desenvolvimento

Eu nunca fui muito boa em notar os saltos de desenvolvimento do Arthur, porque ele sempre foi muito agitado, mas muito mesmo, então eu nunca consegui perceber se num período ele estava mais estressado ou agitado que o normal. As coisas foram acontecendo, ele crescendo, aprendendo e pronto.

Até hoje.

Tem mais ou menos uma semana que o menino está literalmente do avesso. Quer tudo ao mesmo tempo, não sabe o que quer, surta com os brinquedos, comigo, com o pai, com a própria sombra. Achamos que poderia ter a ver com o desfralde, que iniciei com ele na segunda-feira e na terça já teria parado, de tão irritado que ele ficou com as perguntas feitas de hora em hora – os NÃO’s foram ficando cada vez mais enérgicos com o passar do dia. Mas na terça à tarde, ao acordar da soneca, ele pediu pra ficar de cuequinha, e eu achei positivo. E foi mesmo. Já está entendendo a vontade de fazer xixi e já fomos três vezes ao banheiro, com sucesso!

Mas a irritabilidade continuou, assim como os surtos.

Hoje, eu estava com uma encomenda e dei uma de supermulher. Pensei: “bom, na última encomenda de cupcakes ele ficou tão tranquilo, eu consegui fazer tudo com ele pelo meio, vamos que vamos… meu, quase fiquei louca! Parecia que tinha cinco Arthuri dentro de casa: um querendo brincar (“mamãe, binca comigo!”), um querendo assistir desenho (“sabe qual eu quero ver?…”), um querendo enfiar a mão dentro do bowl da batedeira (“quelo comer isso!”), o outro atrás da borboleta que entrou pela janela (“queisso, mamãe, queisso??”), o outro “enfeitando” a árvore de Natal com cubinhos da Fisher Price (“fica aí!Não cai!AAAH”), e um quinto querendo conversar (“mamãe, poque pos isso aí? E aquilo lá?”) – e todos falando ao mesmo tempo! Eu não conseguia me concentrar em nada, a casa virou do avesso, os gatos se esconderam debaixo do sofá , e eu – literalmente – chamei minha mãe. Sim, pessoas, eu posso ser polvo, fazer cinco tarefas ao mesmo tempo, mas hoje estava impossível. Antes de colocar o batman dentro da batedeira e guardar cupcakes na gaveta de cuecas, eu pedi arrego.

Ele foi enlouquecer curtir os avós e eu consegui terminar minha encomenda -arrumei ânimo até mesmo pra encarar a academia.

Chegamos em casa, ele estava derrubando o mundo porque queria voltar pro pula pula. Então lembrei que havia comprado uma daquelas toalhinhas que vêm totalmente dobradas, que precisa por na água pra crescer, sabe? E iniciei a seguinte conversa com ele:

- Filho, senta aí no sofá, que vou te mostrar um negócio legal. – peguei a toalhinha, uma bacia, enchi de água e coloquei no puff. ele sentou, curioso.

- Fica olhando, que vai acontecer uma coisa legal. Quando puder mexer, a mamãe te avisa – o negócio precisa ficar cinco minutos na água pra “crescer”. E fui preparar o lanche. O pai sentou com ele e esperaram. Deu o tempo, avisei da cozinha que podia pegar, e o que escuto??

- Mamãe, cadê a coisa legal?? – ele NÃO achou legal a toalhinha do Buzz??

Então me deu um estalo; meu filho está desenvolvendo senso crítico. Ele agora não “esquece” as coisas e questiona, e mostra que não gostou. A mudança no comportamento está nítida, tenho agora um menino diferente dentro de casa, cheio de opinião, de personalidade, questionador e extremamente ligado a tudo ao seu redor. Estou inchada de orgulho, feliz, feliz da vida!

Só espero que não demore muito mais pra ele se adaptar. Ter cinco meninos dentro de casa enlouquece qualquer um!!

Beijo grande!

"Mamãe, to te filmando!"

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Terrible Twos…? Nem tanto!

Tá.

Eu sumi.

De novo.

Aponto três “culpados”:

- muito trabalho, graças a Deus! Hein? Você ainda não conhece meu trabalho? Dá um clique na Boutique do Açúcar e conheça minha realização profissional!

- O FaceBook – a praticidade e a rapidez de compartilhamento de informações às vezes me faz deixar meu cantinho meio de lado… mea culpa, mea culpa…

- E o meu pequeno “Terremoto”, que a cada dia está mais esperto, mais inteligente, mais gostoso, e mais… birrento. Você conhece o Rei da Birra? Te apresento. Mas Arthur está numa espécie de Nível Avançado em Birra. Aos dois anos e nove meses, ele sabe manipular como ninguém. Sabe quem faz e quem não faz suas vontades, que vão desde as mais simples (“quero bala” na hora das refeições), às mais absurdas (“quero a almofada da mamãe” – sendo que já tem quatro no chão, à sua disposição).  A coisa funciona assim, em ambos os casos: Você diz NÃO, ele choraminga, faz cara de manteiga derretida, beicinho e pede “me dá, por favor, por favor!” – você repete o NÃO, a coisa se complica. Ele aumenta o volume, abre o berreiro e continua no “por favor”. Você insiste no NÃO – das duas, uma: ou ele vai atrás de um terceiro que não esteja a par da situação e lança seu olhar “Gato de Botas do Shrek” repetindo o choramingo, ou – e aí o bicho pega – quase arranca as calças pela cabeça. É uma coisa linda de se ver: ele chuta, bate, grita, se joga no chão. E não adianta tentar argumentar, abraçar, gritar junto, chorar – NADA resolve.  Ou você dá o que ele quer, ou deixa se estrebuchar, fingindo ignorar (fique atenta, ele pode querer bater a cabeça na parede), até que ele esqueça. Daí bate o arrependimento, ele se achega todo derretido, choramingando, pedindo desculpas e prometendo que não vai fazer mais (dura uns dez minutos a promessa, mas eu vejo – ou tento ver – como um progresso…ehehehe). Bem, lendo o que acabei de escrever, acho até graça, mas o “durante”… dá vontade de sumir. E piora quando aparece alguém querendo fazer a vontade dele, seja por pena, seja por querer sossego. Cansativo pra caramba, mas… nada como um dia após o outro, né? E a ajuda do mantra mega-blaster-plus das mães: “vai passar, vai passar – um dia passa!” Por outro lado, todo dia tem uma tirada genial, que me deixa emocionada e orgulhosa ao extremo. é simplesmente emocionante ver seu amadurecimento lógico e emocional.

Eu voltei a fazer hidroginástica, tinha me esquecido de como é bom fazer esse tipo de exercício! Tenho problema na coluna, e nunca pude dar todo o colo que queria ao Arthur, principalmente agora que ele pesa uns 15kg. Ele cresceu acostumado, mas às vezes me pede colinho e morro de dó por não poder segurá-lo mais. Explico que tenho problema na coluna, e ele entende. No primeiro dia da academia, ele foi me buscar com o papai e perguntou:

- Mamãe, tava faxendo execício?

- Estava, meu amor.

- Poque?

- Pra consertar a coluna da mamãe.

- Então, agora você pode me pegar?  – Morri.

 

Outro dia, tinha um bolo do Toy Story prontinho em cima da mesa esperando a cliente vir buscar. Ele passava a cada cinco minutos na frente da mesa, namorando o bolo. Quando a cliente chegou, ele disse pra ela:

- Não vou mais vê o bolo.

- Por que, meu querido?

- Poque voxê vai levá embora. – Morri 2x.

Beijo grande!

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Mamãe, ta saindo água!

Manhã de terça-feira.

EU na área de serviço, pondo roupas na máquina pra lavar.

Arthur na sala (acreditava eu), assistindo He-Man pela milionésima vez.

De repente, ouço um barulho ininterrupto, parecendo um chiado, muito alto: “shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh”. Corro pra sala e o que vejo?

Meu artista, sentado no sofá, com cara de bunda, branco que nem cera – ele me diz:

- Mamãe, tá saindo água! – sigo o chiado e encontro o banheiro completamente molhado. A mangueira que alimenta a caixa do vaso sanitário foi arrancada, degolada, arrebentada, puxada – qualquer coisa assim, e a água jorrava, à vontade, na maior pressão. Corro pro box, fecho o registro e vou perguntar ao Arthur:

- Você mexeu lá?

- Mexeu.

- E por que você mexeu lá, meu filho? (tentando me manter calma, sem surtar)

- Não sei.

Ficou de castigo, porque desobedeceu à uma das diretrizes essesnciais: NÃO BRINCAR NO BANHEIRO.

Chamei meu maridão pra resolver a parada, e está tudo ok.

Mas a pergunta que não quer calar é: Como esse menino saiu sequinho do banheiro????

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