Ontem, eu liguei pra minha avó, a Dona Lourdes, pra contar que ela vai ganhar um bisnetinho… foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, difícil até mesmo de descrever… ela sempre foi uma avó maravilhosa, nunca foi de lamber os netos, de ficar acariciando, pegando no colo, mas é daquelas avós que fazem de você a rainha da casa, eu sempre fiz e comi o que quis na casa dela, desde muito pequenininha… ela sempre morou em casas com quintais grandes, com cachorro, pato, galinha, árvores frutíferas, e claro,um balanço, presente do meu avô. Toda vez que eles se mudavam, a primeira providência que ele tomava era logo construir um balanço pra mim… enfim, tive uma infância maravilhosa graças a eles, mesmo que tenha ficado por perto por pouco tempo (minha família sempre mudou muito, e acabei crescendo longe da grande família…eheheheh), mas os poucos anos de convivência marcaram pra sempre.
Mas voltando ao assunto, quando dei a notícia que era um menino, ela ficou tão feliz, mas tão feliz, que o amor dela simplesmente atravessou a distância de 1100 km e me atingiu em cheio… eu cheguei a ficar desnorteada, nunca tinha sentido algo assim, uma ternura, uma felicidade tão grande, foi… simplesmente emocionante. E mesmo agora, 24 horas depois, só de pensar nela, meu coração enche de ternura e amor por essa avó tão gostosa, que sempre lembrou de mim, mesmo tão distante, e quase incomunicável. Sim, eu cometi esse grave pecado, em todos esses anos, raramente me comuniquei com ela. Claro que sempre tenho notícias, porque minha mãe e ela se falam bastante, mas contato direto? Não. Talvez por preguiça, desleixo, mas jamais falta de amor, porque a amo, do meu jeito seco e tolo de ser, mas amo muito. E a reação dela me deixou também envergonhada. Vou tirar o atraso, dar mais atenção à essa avó maravilhosa, que acolheu seu bisneto com tanto amor, que quer dar o mundo pra ele, mesmo sem condições financeiras…
E você, que está lendo esse texto, se sentiu um nozinho na garganta e lembrou da sua infância regada a laguinhos com patos, batata frita, nespêra no pé, balanço personalizado (sim, eu escolhia até a cor do balanço!) bacião de pipoca à noite, ou outras lembranças, pega o telefone (ou o cartão telefônico) e liga pra ela, diz o quanto a ama, ela com certeza merece ouvir isso.
Amor incondicional. Foi o que eu senti ontem. Essa sensação ninguém tira do coração.
Vai lá, liga pra ela.
Beijos!
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