
Famiglia Belmonte
EU sou bisneta de italianos.
Italiano tem sangue quente, gosta de comida, de conversa, de festa, de farra.
Então, nada mais natural que reunir a famiglia todos os anos, no Natal e no Ano-Novo, certo?

Vó Dica
Quando eu era criança, todos os anos a famiglia se reunia na casa da Vó Dica (minha Bisa querida, que nos olha lá de cima hoje), que há mais de vinte anos atrás, já era bem velhinha, sofria de surdez, mas era uma fortaleza e um doce de Bisavó… lembro que ela sempre tinha frutas e doces pra mim, sempre que eu chegava lá, ela ia no quarto dela e tirava de dentro do guarda-roupa (que tinha um cheiro delicioso de alfazema) e me entregava. Eu era muito criança, mas adorava ficar olhando pra ela. Seu olhar era doce, e sempre atento.
Eu também amava o “pré-festa”, chegava no dia da ceia de manhã e ficava vendo minha tia Tata terminar de arrumar a árvore de Natal, ajudava a colocar as etiquetinhas nos presentes, separar os cartões de Natal pra colocar na árvore… sentia o cheirinho dos assados na cozinha… hummm… tempo bom que não volta mais!
À noitinha, a Bisa preparava a mesa gigante: toalha de Natal, guardanapos engomados, presos a argolas coloridas, pratos e taças, tudo muito bem arrumadinho, ficava lindo!
E a festa começava, com várias gerações de Belmontes presentes: filhos, netos, bisnetos, primos próximos e distantes, a casa ficava cheia , era uma delícia! claro que de vez em quando rolava uma confusão, mas como não acontecer, com tanto italiano junto?!
Eu tenho lembranças picadas, de Natais diferentes… num ano o Papai Noel em pessoa apareceu (primo Zezé, saudades…), num outro ano, teve muita brincadeira, até de pregar o rabo no burro nós brincamos! Teve um ano que meu Avó Babá tirou eu e minha mãe no amigo secrteo, e ganhamos cada uma um anel de ouro muito delicado, o meu tem um rubi, tenho ele até hoje… Num Ano-Novo, um dos fogos de artifício estourou dentro da varanda… tomei um susto enorme e fiquei um tempo meio surda – pude sentir como a Bisa vivia… é muito silêncio…
E ela? Ela ficava sentadinha na poltroninha dela, só acompanhando a festa, no seu mundo silencioso… ela se comunicava, claro, usava aparelho e lia lábios, mas a maior parte do tempo, quando não estava em altos papos com minha mãe, ela só observava… imagino o que ela pensava…

Vô Babá e Vó Nuza
Hoje, não temos mais essas festas maravilhosas. A Bisa se foi, meu avô se foi, tios se foram, filhos e netos mudaram de cidade… a famiglia continua crescendo, distante… mas as memórias de tempos tão bons não se apagarão nunca.
E meu grande sonho é um dia poder fazer essas reuniões, com todo mundo reunido, pais, filhos, netos e primos… em festa, festejando o aniversário de Jesus, e por que não? Fazendo muita farra, que é o que todo italiano gosta!!
Este texto é uma homenagem à minha Bisavó Dica, e aos meus avós queridos, Babá (olhe por nós, avô querido!) e Nuza, minha linda avozinha, de 91 anos, que até hoje curte uma feijoada, caipirinha e novela!
Saudades… de um tempo que já não volta mais.
Participação na Blogagem Coletiva de Natal do Minhas Memórias, da Mylla.
Beijo grande, querida! Obrigada por me levar de volta no tempo!

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